Validação de métodos analíticos – referências e o ICH

Você sabia que os guias do International Council for Harmonisation (ICH) são utilizados como referência em diversos países?

O Conselho Internacional para Harmonização de Requisitos Técnicos para Produtos Farmacêuticos para Uso Humano (ICH) é único em reunir as agências reguladoras e a indústria farmacêutica para discutir aspectos científicos e técnicos do registro de medicamentos. Desde a sua criação em 1990 (na Europa), o ICH evoluiu gradualmente, atendendo aos itens necessários no processo de desenvolvimento de medicamentos global (atendendo USA e Japão). A missão do ICH é alcançar uma maior harmonização em todo o mundo para garantir que medicamentos seguros, eficazes e de alta qualidade sejam desenvolvidos e registrados da maneira mais eficiente em termos de recursos. Desde o anúncio das mudanças organizacionais em outubro de 2015, a ICH cresceu como organização e agora inclui 16 membros e 32 observadores.
Recentemente (2018), representantes da ANVISA foram eleitos para compor o comitê do ICH e assim o Brasil participa do processo de discussão e harmonização dos requisitos técnicos para medicamentos e pode propor tópicos para discussão. A agência foi aceita como observadora do ICH em 2015 e em 2016 como membro. Para se manter nesta condição a ANVISA deve implementar cinco guias de nível II até novembro de 2021. O guia E2A: Gestão de Dados de Segurança Clínica - definições e padrões já foi implantado e outros 4 guias estão em implantação/finalizados.

Os tópicos do ICH são divididos em 4 categorias:
Guias de Qualidade, Segurança, Eficácia e Multidisciplinares.

Categorias de guias do ICH.

No item Qualidade, o guia ICH Q2 está na revisão 1 mas todos estão aguardando a versão R2 (revisão 2). Este guia deu origem a RE 899/2003 e trata sobre a validação de métodos analíticos. Como promessa mais esperada do Q2/R2 deve-se encontrar orientações para validação envolvendo métodos espectrométricos ou espectroscópicos, como infravermelho, espectrometria de massas, raman e RMN, muitos dos quais envolvem a calibração multivariada.

Revisão do guia ICH Q2/R1 para ICH Q2/R2 e unificação com o guia Q14.

Atualmente, países como Canadá e Suíça também seguem os guias ICH e a ANVISA concordou em aceitar validações de insumos importados realizadas utilizando o guia ICH Q2.

Já se discute que a RDC 166/2017 deverá passar por revisão assim que for liberado o guia ICH Q2/R2.

Vamos aguardar!

DESENVOLVIMENTO E VALIDAÇÃO DE MÉTODOS PARA AS IMPUREZAS: NITROSAMINAS

Em 2018, as impurezas nitrosaminas, incluindo N-nitrosodimetilamina (NDMA), a qual foi encontrada em vários produtos farmacêuticos utilizados no controle de pressão alta, conhecidos como “sartanas” (como as losartanas). Estas impurezas levaram ao recolhimento de vários lotes no mercado e também desencadearam várias revisões nas questões regulatórias envolvidas. Food Drugs Administration (FDA), European Medicine Agency (EMA) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estão impondo a necessidade de estudo e controle destas impurezas. Recentemente, mais um caso de alerta ocorreu e fez com que produtos farmacêuticos produzidos com ranitidina (utilizada para desordens do estômago – úlceras, etc) também sofressem recolhimento no mercado devido a presença ou suspeita da presença das mesmas impurezas: NITROSAMINAS.

As nitrosaminas são indesejáveis pois são compostos contendo grupo nitroso e são potencialmente cancerígenos.

Algumas estruturas de nitrosaminas podem ser visualizadas na Figura 1.

Figura 1. Fórmula estrutural de algumas nitrosaminas.

As nitrosaminas já possuem metodologia prevista para serem monitoradas em amostras de água e de produtos a base de tabaco, mas para controle destas como impurezas de insumos farmacêuticos ativos (IFA) ou em medicamentos temos um desafio analítico sério, que envolve obter seletividade, limites de quantificação bem reduzidos e performance adequada também a nível de confirmação de identidade (análise qualitativa).

Neste cenário, as metodologias que mais se adequam são as cromatografias líquida e gasosa acopladas a espectrometria de massas (LC-MS e GC-MS), mas ainda se torna também necessário pensar no preparo das amostras e incluir, via de regra, técnicas de extração, clean-up e concentração, como a extração em fase sólida (Figura 2 – exemplo de cromatograma).

Assim, estabelece-se um novo desafio analítico: desenvolver, validar e aplicar na rotina métodos para controlar a presença e os limites de nitrosaminas. Isto deve ser a realidade da pesquisa e desenvolvimento, estudos de estabilidade e controle de qualidade: rotinas cada vez mais específicas e de maior necessidade de conhecimento técnico.

Figura 2. Exemplo de cromatograma para a separação de nitrosaminas.

CROMATOGRAFIA: CONCEITOS GERAIS

Dentre todas as técnicas analíticas disponíveis como ferramentas para Pesquisa e Desenvolvimento, Controle de Qualidade, Desenvolvimento Científico e Acadêmico, com certeza as Técnicas Cromatográficas merecem um destaque de respeito.

São versáteis, abrangentes, eficientes e eficazes. E as pessoas que dominam as aplicações e desenvolvimento de métodos cromatográficos garantem destaque no mercado de trabalho e no desempenho profissional, em diferentes áreas: química, engenharias, farmacêutica, alimentos, saúde animal e etc.

Dentre as técnicas cromatográficas, com certeza a Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE, do inglês HPLC= High Performance Liquid Chromatography), apresenta um porcentagem maior de aplicações e usos na rotina de Pesquisa e Desenvolvimento e Controle de Qualidade. Porém, as técnicas de Cromatografia Gasosa (CG) e a Cromatografia em Camada Delgada (CCD, do inglê TLC= Thin Layer Chromatography ou HPTLC) também são referências importantes e completam a formação de um bom técnico, pesquisador ou analista das áreas citadas.

O entendimento do princípio básico e geral das técnicas cromatográficas, classificação e condição da HPLC, CG e TLC permite construir e/ou consolidar o perfil de um bom cromatografista (operador/desenvolvedor de métodos cromatográficos), pois permite uma visão mais ampla, e, portanto mais sólida das necessidades envolvidas.

Assim, o curso de Cromatografia Conceitos Gerais: HPLC, CG e TLC (e HPTLC) visa formar o conceitual necessário para o profundo conhecimento das técnicas cromatográficas mais importantes e significativas para o perfil profissional moderno e atual. São apresentados e discutidos os conceitos que permitem entender como a separação ocorre, quais mecanismos e processos envolvidos, quais as opções de fases estacionárias, móveis e detecção em cada técnica, bem como os resultados esperados. Além disso, se caracteriza na prática como cada técnica (líquida, gasosa ou planar) pode ser utilizada na sua melhor performance (melhores aplicações em cada caso também). E isso tudo é essencial para servir de base sólida na construção de um pensamento de tomada de decisão e desenvolvimento. Afinal, quem se destaca mais é quem não tem todas as respostas prontas já definidas por alguém, mas sabe como encontrar um caminho novo ou eliminar os pontos falhos de um caminho prévio.

Um cromatografista de destaque não se desenvolve ensinando como foco central quais botões devem ser apertados nos equipamentos, mas sim ensinando a pensar nas opções e a quais caminhos diferentes essas opções levam.

ESTATÍSTICA APLICADA À RESULTADOS ANALÍTICOS (VALIDAÇÃO DE MÉTODOS E ESTUDOS DE ESTABILIDADE)

Boa tarde!!!

Já perceberam como a “estatística” e os “testes estatísticos” estão cada vez mais famosos e importantes nos laboratórios de desenvolvimento analítico e controle de qualidade?

Gerar números empregando técnicas cromatográficas (HPLC e CG) ou espectrométricas (UV/Vis, Massas etc) é fácil, mas difícil é confiar se os valores obtidos representam a veracidade dos fatos e amostras em análise.

Nas últimas resoluções ANVISA mais impactantes (RDC 166/2017 – Validação de Métodos e RDC 318/2019 – Estabilidade de IFA e Medicamentos) a estatística se consolida como a ferramenta de decisão na aprovação ou reprovação dos testes necessários.

Perguntas como: “a diferença entre os valores é estatisticamente diferente?”; “existem valores a serem descartados (outliers)?”; “os resultados são significativos?”; “os valores encontrados são superiores aos erros analíticos?”

Estas questões e outras só podem ser corretamente respondidas aplicando-se testes estatísticos sistemáticos (Teste F, Teste de Grubbs, Teste de t-Student – para estabelecer intervalos de confiança e comparação de médias, Teste de Cochran, Teste Q, entre outros).

Exemplo de teste estatístico:

Estes e outros testes estatísticos são o foco do curso Estatística Aplicada à Validação de Métodos que será oferecido no dia 18 de janeiro de 2020, em Paulínia, das 8:00 as 17:00h em Paulínia. O foco deste curso é a execução prática dos mais importantes testes estatísticos, visualizando em exercícios práticos a sua aplicação real.

Venha se aperfeiçoar e/ou descobrir como usar os testes estatísticos em diferentes problemas encontrados atualmente nos laboratórios analíticos (inscrições cromvallab.com ou cromvallab@gmail.com.

Fórum de Discussão sobre Desenvolvimento e Validação de Métodos Analíticos

Estamos iniciando o fórum de discussão sobre Desenvolvimento e Validação de Métodos Analíticos. Todos os interessados devem seguir o blog (clique no link “seguir”). Mande um email para receber a senha de acesso.

Toda semana teremos uma questão nova em discussão e qualquer participante pode enviar perguntas e /ou comentários.

Até a próxima semana estarei organizando o fórum e somente os inscritos (e os seguidores) terão acesso, pois será controlado por senha.

Participem!

Várias cabeças juntas pensam melhor que uma sozinha!

SELETIVIDADE: O PONTO CHAVE DO DESENVOLVIMENTO E VALIDAÇÃO DE MÉTODOS ANALÍTICOS

Você desenvolveu um ótimo método cromatográfico e agora vai validá-lo. Qual a principal e crucial pergunta? Não é sobre a precisão, exatidão ou linearidade, mas sim, a principal pergunta é: “Meu pico cromatográfico é homogêneo (puro) e portanto consigo quantificar meu analito com total seletividade, mesmo na presença de diluentes, excipientes, interferentes ou compostos relacionados ou estruturas similares?”

Percebeu-se, devido as exigências, que a principal característica dos métodos analíticos de excelência é a capacidade de identificar inequivocamente um analito, fazer distinção entre suas formas e outros interferentes e quantificar o analito mesmo na presença de outras substâncias.

Para se avaliar a seletividade várias são as ferramentas, como:

  • co-eluição
  • verificação de pureza com o uso de DAD (cálculo de pureza do pico)
  • verificação de pureza com o uso de MS
  • análise de formato de pico (simetria)

Porém, quando nenhuma ferramenta permite a confirmação perfeita da seletividade atualmente as normas citam o uso de métodos analíticos ortogonais (referências: ISO 17025, RDC 166/2017 etc), o que significa o uso de dois métodos analíticos combinados ou técnicas cromatográficas ortogonais.

Métodos ortogonais podem ser aplicados no intuito de se obter uma melhora na seletividade e resolver problemas de co-eluição. Como requisitos gerais os métodos ortogonais cromatográficos devem apresentar mudanças significativas em suas condições e permitir resoluções maiores que 1,5 entre os picos.

De modo simples, métodos ortogonais são aqueles em que se obtém diferença significativa de tempos de eluição e se atinja os seguintes objetivos:

  • melhoria de resolução
  • expor bandas co-eluídas
  • cromatografia em 2 dimnsões (2D)

Estes e outros assuntos relacionados a validação de métodos analíticos são tratados no Curso Validação de Métodos Analíticos da CROMVALLab. Inscrições e informações cromvallab.com ou cromvallab@gmail.com.

COMO ESCOLHER UMA BOA COLUNA PARA AS SEPARAÇÕES CROMATOGRÁFICAS DE HPLC?

Atualmente, são várias as colunas que podem ser escolhidas em um método cromatográfico. Pode-se variar as dimensões (diâmetro e comprimento), recheio de fase estacionária (fase reversa, fase normal, HILIC), diâmetros da partícula (e se a mesma é esférica ou irregular), recobrimento de carbono, área supercifical, fabricante e etc.

Em relação as dimensões da coluna, são várias as considerações e a decisão deve ser baseada nas condições da aplicação em particular.

Variando as dimensões é possível obter maior ou menor :

  • sensibilidade
  • resolução
  • tempo de análise
  • backpressure
  • eficiência
  • consumo de solvente

Eficiência é diretamente proporcional ao comprimento da coluna e inversamente proporcional ao tamanho da partícula (isto é, quanto mais longa a coluna, mais eficiente a separação; quanto menor o diâmetro da partícula, mais eficiente. Porém, um aumento de 2x o comprimento da coluna, somente resulta em uma melhoria de 41 % de resolução e aumenta a pressão do sistema (backpressure).

Colunas menores apresentam menores tempos de análise (o que se torna importante em aplicações com gradientes), enquanto colunas mais longas aumentam a resolução, o tempo de análise e a pressão.

Menores diâmetros de partícula, maior eficiência de pico (picos mais estreitos) e portanto, maior resolução, com menor tempo de análise.

Em relação ao diâmetro da coluna, menores diâmetros garantem picos mais finos, o que resulta em melhores sensibilidade também. Deve-se ressaltar ainda que alguns detectores exigem colunas de menores diâmetros devido as vazões de trabalho (detectores de massas com vazões de fase móvel da ordem de 0,3 a 0,6 mL/min exigem colunas de 2,1 ou 3 mm de diâmetro).

Boa sorte na escolha de suas colunas, levando em consideração estes fatores discutidos e, claro, considerando-se o quanto se pretende gastar, afinal, colunas menores e com menores diâmetros de partícula são mais caras!

CRONOGRAMA DE CURSOS CROMVALLAB

ACABAMOS DE APROVAR UM NOVO CRONOGRAMA DE CURSOS, CONFORME TABELA ABAIXO:

Resumo

HPLC Básico: Colunas, Fases Móveis e Detectores
30 de novembro de 2019

Validação de Métodos Analíticos – RDC 166/2017, ICH Q2 e Testes Estatísitcos (nova turma)
14 de dezembro de 2019

Estatística Aplicada A Validação de Métodos
18 de janeiro de 2020

Cromatografia Conceitos Gerais: HPLC, CG e TLC (NOVA TURMA)
08 de fevereiro de 2020

As inscrições estarão abertas a partir de quarta-feira

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