Em destaque

DESENVOLVIMENTO DE MÉTODOS CROMATOGRÁFICOS PARA CONTROLES AMBIENTAIS

As técnicas cromatográficas, HPLC, GC, LC-MSMS, LC-MS, GC-MS, nunca estiveram tão em destaque quanto nos dias atuais.

Na indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia as técnicas cromatográficas dominam, afinal essas técnicas permitem monitorar os padrões de qualidade de matérias primas e produtos acabados, incluindo perfis de impurezas e degradação nos testes de estabilidade.

Porém, na área ambiental as técnicas de cromatografia líquida e à gás também são cada vez mais requisitadas devido ao poder de separação em conjunto com a possibilidade de análise qualitativa e qualitativa de analitos presentes em matrizes complexas.

Cromatografia e preparo de amostra

Com a publicação da Portaria GM/MS nº 888 de 4 de maio de 2021, que  foi publicada em 7 de maio de 2021, essa necessidade de métods cromatográficos cada vez mais eficientes e que permitam alcançar limites de detecção e de quantificação cada vez menores, se tornou mais evidente e consolidade.

A portaria 888/2021 dispõe sobre os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade e inclui desafios, como:

  • Parâmetros físicos
  • Parâmetros microbiológicos
  • Cianotoxinas
  • Metais => métodos de EAA e ICP
  • 10 subprodutos: 3 novos, incluindo NDMA => métodos cromatográficos
  • 16 substâncias orgânicas => métodos cromatográficos
  • 57 agrotóxicos e metabólitos => métodos cromatográficos

Como escolher a melhor técnica cromatográfica para atender os parâmetros da portaria?

Amostra de água.

Veja também um vídeo sobre o comparativo entre as técnicas e verifique qual técnica pode atender melhor a sua necessidade.

Ficou com dúvidas ou precisa de ajuda?

Escreva para podermos ajudá-los:

cromvallab@gmail.com

ou entre em contato:

Em destaque

Quais as vantagens de utilizar o detector de espectrometria de massas acoplado à cromatografia líquida ou gasosa?

As técnicas cromatográficas ganharam destaque entre as técnicas analíticas devido a capacidade de separar diferentes constituintes presentes em matrizes complexas e, em teoria, permitir análise qualitativa e quantitativa de cada componente da mistura (amostra). Para análise qualitativa básica comparamos os tempos de retenção do padrão com o tempo de retenção do pico na amostra, considerando que as afinidades e interações permitem diferenciar diferentes estruturas químicas (mas isso é apenas uma aproximação, pois podem existir coincidências). Para a análise quantitativa comparamos a área ou a altura dos picos da amostra com as áreas ou a altura dos respectivos picos do padrão., obtidos nas mesmas condições, com os mesmos detectores.

Obviamente, várias condições são necessárias para atender os objetivos: desenvolvimento do melhor método (escolha de colunas, fases estacionárias, fases móveis, preparo de amostra, etc), escolha do equipamento e parâmetros operacionais adequados, uso de padrões e substâncias químicas de referência, tratamentos de dados e processamento.

Para uma boa análise tudo é importante! Mas precisamos de um bom cromatograma, gerado com um detector apropriado. A Figura 1 ilustra o resultado diferente obtido para a mesma amostra injetada utilizando dois detectores diferentes na análise de HPLC: um detector de arranjo de diodos (PDA – photodiodo array) e um detector de espalhamento de luz evaporativo (ELSD – evaporative light scattering detector).

Figura 1. Cromatogramas de HPLC obtidos com 2 diferentes detectores.

A Figura 2 ilustra a análise de uma amostra empregando 3 diferentes tipos de detectores de cromatografia a gás: detector de ionização em chama (FID – flame ionization detector), detector termiônico de chama (FTD – flame thermionic detector) e detector fotométrico de chama (FPD – flame photometric detector).

Figura 2. Cromatogramas obtidos empregando diferentes detectores de CG.

Detectores mais seletivos são mais sensíveis e permitem quantificação de concentrações mais baixas (atingem menores limites de detecção e quantificação). Porém, os detectores quanto mais seletivos mais irão “filtrar” os compostos a serem analisados de acordo com a propriedade físico química capaz de ser medida (menor quantidade de picos cromatográficos serão visualizados).

E os detectores de massas?

O acoplamento da cromatografia com a espectrometria de massas ampliou as opções e a confiabilidade das análises cromatográficas. Tendo o espectrômetro de massas como detector é possível realizar a confirmação da identidade de cada pico cromatográfico (extraindo os respectivos espectros de massas), quantificar os compostos e eventualmente eliminar interferentes da matriz ou co-eluições obtendo cromatogramas considerando massas/cargas específicas (no caso de utilizar MS/MS, muito útil na análise de baixas concentrações em matrizes complexas).

Assim, as principais vantagens do uso de espectrômetros de massa como detectores de cromatografia:

  • ser um detector universal
  • possibilidade de confirmação de identidade (análise qualitativa inequívoca utilizando o espectro de massa)
  • possibilidade de identificação de compostos mesmo sem o uso de padrões
  • possibilidade de quantificar sem falsos positivos
  • possibilidade de realizar a deconvolução de picos não separados (utilizando as massas/cargas)
  • possibilidade de eliminar interferentes da matriz e co-eluições (no caso de MS/MS – triplo quadrupolos)
  • aumentar a sensibilidade e seletividade do método
  • calcular pureza de pico cromatográfico

A Figura 3 ilustra um cromatograma obtido por GC-FID e GC-MS, comparativamente. Neste caso evidencia-se a possibilidade de obtenção de resultados muito similares com os dois detectores. Porém, com o detector de massas torna-se possível identificar os picos, mesmo sem o uso de padrões, obtendo os respectivos espectros de massas e utilizando bibliotecas disponíveis, ou confirmar a identidade dos picos com tempos de retenção coincidentes com padrões específicos utilizados, ou ainda verificar a pureza de cada pico eluido e descartar co-eluições comparando os espectros de massas extraídos em regiões diferentes do mesmo pico, melhorar a sensibilidade obtendo o cromatograma monitorando íons específicos e etc.

Figura 3. Cromatogramas da mesma amostra obtidos utilizando espectrômetro de massas como detector (no modo de cromatograma de íons totais – TIC) e FID.

A Figura 4 ilustra o processo de deconvolução de espectros de massas para separação de picos não separados.

Figura 4. Exemplo de melhoria de resultados de cromatograma com resolução ineficiente, mas separado per deconvolução empregando os espetros de massa. (extração de íons).

A Figura 5 mostra um cromatograma e os respectivos espectros de massa extraídos para cada pico.

Figura 5. TIC e espectros extraídos.

A Figura 6 demonstra um resultado obtido no modo de monitoramento de reações múltiplas (MRM), que permite obter um cromatograma livre de interferências – Figura 7, monitorando somente o íon filho de um íon pai específico (obtido em MS/MS – triplo quadrupolo com célula de colisão).

Figura 6. Resultados de MRM com o fragmento a ser monitorado para a análise qualitativa e o fragmento para análise quantitativa.
Figura 7. Exemplo da melhoria de seletividade e sensibilidade obtida no modo MRM.

Entre as desvantagens do uso da espectrometria de massas pode-se citar:

  • custo do equipamento e custo operacional mais alto
  • necessidade de condições adicionais especiais (gases ou solventes mais puros, colunas mais eficientes e resistentes, melhoria no preparo de amostra, redução nos volumes de injeção, restrição de uso de alguns aditivos e solventes típicos de cromatografia)
  • uso de bombas de alto vácuo (10-5 a 10-7 Torr)
  • maior manutenção
  • maior treinamento
  • maior tempo de desenvolvimento de método
  • mais itens de validação de métodos
  • perda de intensidade de sinal, principalmente no caso de triplo quadrupolo devido ao caminho maior dos íons gerados

Informações mais detalhadas estão disponíveis em nossos cursos de HPLC e no curso de GC Avançado (cromvallab.com)

Gostou do post?

Tem dúvidas? Venha conhecer nossos cursos de cromatografia e nos siga nas redes sociais.

ou entre em contato

cromvallab@gmail.com

Dra Glaucia Maria F. Pinto

VOCÊ SABE O QUE É MIXED-MODE STATIONARY PHASE?

São fases estacionárias que permitem múltiplas interações (no mínimo com 2 tipos de mecanismos de retenção diferentes com o analito).

Elas dão origem a diversas aplicações do que ficou conhecido como MM-HPLC e permitem obter separações diferenciadas, com excelente seletividade.

Gostou desse conteúdo?

Precisa de ajuda para desenvolver um método complicado? Gostaria de fazer um curso?

Escreva:

cromvallab@gmail.com

Entre em contato:

Dra. Glaucia Maria F. Pinto

Como escolher a membrana filtrante para sua amostra de HPLC?

São tantas as preocupações e necessidades de conhecimento na área de HPLC!!!

🤨 Devemos filtrar as nossas amostras, para prevenir contaminações, aumentar a vida útil da coluna e melhorar a qualidade da análise, MAS é necessário escolher bem a membrana de filtração a ser utilizada.

🤔 Algumas membranas podem ser incompatíveis com o meio (solvente/diluente da amostra), podem possuir substâncias que serão extraídas (comportando-se como fonte de contaminação) e podem se ligar aos analitos devido a afinidades e forças de interação.

Veja no post alguns estudos e comparativos. Espero que seja útil!

E não esqueça de validar o uso do seu filtro de amostra e definir o volume de saturação da membrana! 🧡💛💚💙

Para saber mais sobre cromatografia e HPLC nos siga nas redes sociais (YouTube, Instagram e Linkedin).

Temos vários cursos online e com aulas práticas presenciais, nas quais realizamos o preparo da amostra até o processamento de dados. A próxima data da aula prática será em 27 de novembro de 2021!

Escreva cromvallab@gmail.com

Aguardo vocês em outros posts e cursos.

Abraços,

Glaucia Maria F. Pinto

RESUMO SOBRE OS GASES EMPREGADOS EM CROMATOGRAFIA A GÁS

Na cromatografia a Gás, um dos fatores mais importantes é garantir o uso de um gás inerte, puríssimo e compatível com o detector.

Não são muitas as opções (hidrogênio, hélio, nitrogênio, metano e argônio), e, geralmente, na prática optamos por nitrogênio e hélio. Mas como devemos escolher?

Além do uso do gás como substituinte da fase móvel, como gás de arraste, também é importante considerar o tipo e vazão do gás usado como Make up (make up gas) no detector. O uso adequado deste reduz o alargamento de banda e pode aumentar a sensibilidade.

Veja abaixo algumas considerações a respeito dos gases para a boa performance de operação do cromatógrafo à Gás.

Para esclarecer outras dúvidas ou realizar um treinamento em CG escreva: cromvallab@gmail.com

O que fazer quando a coluna cromatográfica não apresenta o resultado e desempenho esperado? Descartar ou regenerar?

Toda coluna cromatográfica apresenta uma vida útil, que em geral, é muito variável e dependente das condições operacionais as quais ela é submetida.

O custo da coluna é relativamente alto, em relação ao custo da análise, principalmente em HPLC e, portanto, deve-se garantir a melhor vida útil possível para as colunas (sobre este assunto veja o post: https://cromvallab.com/2021/07/24/hplc-trobleshooting-os-mais-comuns-as-principais-causas-e-as-melhores-solucoes/ e o vídeo: https://youtu.be/zrRM320O5G8).

Apesar de todos os cuidados, eventualmente, aquela análise que estava adequada no dia anterior pode apresentar, no dia seguinte, picos deformados, com alteração do tempo de retenção, problemas de quantificação e etc e isso pode ocorrer devido a contaminações e retenções de substâncias da matriz da amostra (ou impurezas da fase móvel e aditivos) na fase estacionária da coluna.

Uma coluna pode voltar a apresentar seus resultados ótimos se executada uma limpeza e regeneração adequada e saber realizar este processo é importantíssimo!

Veja abaixo algumas dicas para livrar a sua coluna de contaminantes e retenções indesejadas. Ela pode durar muito mais!

Gostou das dicas? Quer saber mais a respeito de cromatografia e HPLC?

Entre em contato e nos siga nas redes sociais!

Para informações sobre cursos escreva: cromvallab@gmail.com

DETALHES QUE FAZEM TODA A DIFERENÇA EM CROMATOGRAFIA: PARTE 1 – SEPTOS

Todos os consumíveis de HPLC/CG são de grande relevância e podem impactar o resultado de nossa análise de forma positiva ou negativa.

Até mesmo o septo do vial que armazena e permite a injeção automatizada no sistema cromatográfico deve ser escolhido levando-se em consideração a melhor opção para atingir o resultado esperado: compatibilidade com os solventes, inercia química e capacidade de resselar são algumas das característica importantes.

Veja as informações abaixo:

Gostou do conteúdo? Comente!

Dúvidas? Escreva cromavallab@gmail.com

IDL: INSTRUMENT DETECTION LEVEL – UMA ÓTIMA OPÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DE SENSIBILIDADE E LD EM MÉTODOS CROMATOGRÁFICOS

O IDL começou a ser utilizado para determinar a sensibilidade de equipamentos cromatográficos cada vez mais sensíveis, como GC-MS e LC-MS e já representa uma ótima alternativa para verificação de sensibilidade e limite de detecção (LD) dos métodos cromatográficos. Isento da variabilidade e manipulação que a razão sinal ruído apresenta, o IDL merece ser testado e avaliado.

Quer saber mais?

Veja os slides abaixo:

Já conhecia este cálculo?

Gostou do assunto?

Deixe seu comentário!

E venha fazer um curso conosco sobre cromatografia, HPLC, CG, Validação, Estabilidade, Produtos de Degradação e outros…

Escreva: cromvallab@gmail.com

O QUE É DISSOLUÇÃO

É o processo pelo qual um fármaco é liberado de sua forma farmacêutica e se torna disponível para ser absorvido pelo organismo.

Já o ensaio de dissolução é um ensaio físico in vitro, onde é possível determinar a quantidade liberada do fármaco no meio de dissolução, quando submetido a condições experimentais controladas e aparelhagem específica, como por exemplo o volume do meio, aparatos, rotação, temperatura e tempo, ou seja, para a realização do ensaio de dissolução é necessário a utilização de um equipamento específico chamado dissolutor (Figura 1), que é constituído por:

– Cubas: local onde o meio de dissolução é adicionado e também onde ocorerá a dissolução;

– Aparatos: I (cestos) e II (pás), com o auxílio de um motor é ajustado a velocidade de rotação dos aparatos gerando, assim, a hidrodinâmica que é responsável pela desintegração e dissolução da forma farmacêutica;

– Revervatório de água: também chamado de banho, local onde a água é aquecida e por troca de calor aquece o meio de dissolução dentro da cuba.

Figura 1: Alguns aparatos de dissolução, ilustração do processo (cubas), Dissolutor.

Qual a importância do ensaio de dissolução para a Indústria Farmacêutica?

O ensaio de dissolução é considerado o ensaio mais importante para uma forma farmacêutica sólida, pois é o ensaio in vitro que mais se assemelha com o comportamento in vivo, uma vez que, para que um fármaco seja absorvido é necessário que ocorra a desintegração e a dissolução e esses dois parâmetros é posssível verificar no teste de dissolução.

Além disso, o teste de dissolução é imprescindível para o desenvolvimento e estabilidade de formulações, avaliação do processo de fabricação, detecção de desvios de fabricação e diminuição do risco da falta de bioequivalência entre lotes, podendo ser utilizada para obter a bioisenção do produto.

Figura 2: A importância dos teste de dissolução e para que ele se aplica.

Se vocês gostariam de saber mais a respeito do ensaio de dissolução, aproveitem os cursos “Fundamentos de Dissolução” e “Desenvolvimento de método de dissolução utilizando Aparatos IV” mininistrado pelo Msc. Rodolfo Duarte, cuja inscrições estão abertas através deste link: https://forms.office.com/Pages/ResponsePage.aspx?id=jOaT0T_lEEambVb_MA_segRnyxMRLYRIsQD-975RnKVUOUZLWlJTMFBKU1pCOEJFQ0pQT1Y1S0w5VS4u

Para mais conteúdos sobre Dissolução, acessem o LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/rodolfo-duarte-msc-410518b3/

Se tiver interesse em curso sobre Desenvolvimento e Validação de Métodos para Desenvolvimento de Produtos acesse: https://cromvallab.com/pagina-inicial/curso-novo-desenvolvimento-de-metodos-cromatograficos-para-desenvolvimento-de-produtos/

#dissolução #cursos #industriafarmaceutica #desenvolvimento

Um pouco mais sobre a cromatografia de convergência (CC) – APLICAÇÕES

Autor: Igor M. Santana, M.Sc. , Pesquisador a nível doutorado, Departamento de Química Analítica, Instituto de Química da Unicamp

Em um post anterior (que pode ser lido clicando aqui: https://cromvallab.com/2020/09/12/voce-conhece-a-cromatografia-convergente-e-a-cromatografia-unificada/o aqui), foi falado da cromatografia de convergência (CC) e suas diferenças para as tradicionais cromatografia líquida (LC) e gasosa (GC). Nesse post, detalharemos um pouco mais sobre essa técnica que surgiu no começo dos anos 60, mas não alcançou a mesma popularidade de LC e GC. A CC também pode ser conhecida pelo seu nome popular, cromatografia com fluido supercrítico (ou SFC). Por isso, é preciso primeiro entender o que é um fluido supercrítico e como suas propriedades aplicam-se à cromatografia.

O fluido supercrítico está em uma condição de pressão e temperatura na qual líquido e gás coexistem, mas sem haver uma separação entre eles. Por exemplo, a água em ebulição: é possível ver onde o líquido termina e onde o vapor começa, através da formação de bolhas, condição na qual chamamos de separação de fases. Em um fluido supercrítico, as propriedades do líquido e do gás, como densidade e viscosidade, convergem a tal ponto em que se tornam uma fase só (Figura 1). Em outras palavras, as propriedades de um fluido supercrítico são intermediárias às de um líquido e de um gás, principalmente sua densidade e viscosidade, importantes para processos cromatográficos.

      Figura 1. Transformação do CO2 em um fluido supercrítico (sem a separação de fases líquido-gás) ao aumentar a pressão e temperatura.

      Hoje, o principal fluido usado é o CO2 por apresentar condições críticas (pressão e temperatura) brandas em comparação a outras substâncias. Porém, como o CO2 é uma substância muito apolar, é necessário misturá-lo com modificadores polares (como metanol) para ter força suficiente para eluir compostos mais polares, que costumam ser mais retidos na fase estacionária com essa técnica. A adição de modificadores orgânicos altera as propriedades do fluido, principalmente a temperatura crítica, e parte do processo de separação ocorre em uma condição abaixo dessa temperatura, sendo chamada de subcrítica. No entanto, na prática não há diferença significativa entre as condições supercrítica e subcrítica desde que as propriedades do fluido permaneçam contínuas, ou seja, sem separação de fases (é por isso que a instrumentação em SFC requer um item a mais que um instrumento de HPLC tradicional, chamado de regulador de pressão de retorno ou backpressure regulator, BPR) [1]. Como consequência, o termo “supercrítico” não é mais adequado para designar essa técnica cromatográfica, permanecendo apenas por motivos históricos. A característica mais marcante é a compressibilidade do fluido, ou seja, maior sensibilidade a mudanças de pressão e temperatura em comparação a uma fase puramente líquida. O nome cromatografia de convergência (CC) usado pela Waters é pertinente, pois a fase móvel pode convergir nos estados supercrítico, subcrítico (mais comum) e líquido em uma única corrida.

A principal aplicação da CC tem sido na resolução enantiomérica de fármacos, de forma que é vista como substituta ideal para métodos compendiais que empregam cromatografia líquida em fase normal (NPLC). A NPLC emprega solventes agressivos ao meio ambiente (como derivados de petróleo e solventes clorados), tem equilíbrio lento com a fase estacionária e não tem compatibilidade com espectrometria de massas (MS). Por sua vez, o fluido usado em CC (predominantemente CO2 pressurizado) é ecologicamente mais amigável (não inflamável e não tóxico), além de ser mais barato. Além disso, a viscosidade do fluido é muito menor, o que resulta em corridas de 3 a 5 vezes mais rápidas. Como a maior parte da fase móvel é um gás em pressão ambiente, seu acoplamento com MS é facilitado. Por exemplo, o método USP para análise de tolazamida, um fármaco redutor de glicemia, emprega NPLC com grande consumo de hexano, de origem fóssil. O tempo total de análise chega a 30 minutos, a uma vazão de 1,50 mL/min com uma coluna Agilent Zorbax RX-Sil 4,6 x 250 mm, partículas de 5 µm, gerando um resíduo de 43 mL somente de hexano. Sua substituição por SFC reduz o tempo total de análise para 5,5 minutos com a mesma coluna, mas com uma vazão de 3 mL/min. A Figura 2 apresenta os cromatogramas e o resultado para o system suitability, mostrando que ambos os métodos atendem ao critério USP [2]. No caso de SFC, o consumo total de solvente chegou a 16,5 mL, mas gerou apenas 1,0 mL de resíduo para ser tratado, pois a maior parte da fase móvel (CO2) evapora ao fim da análise. Esse caso mostra a nítida economia de tempo (e financeira), que pode ser obtida também em outros métodos onde NPLC ainda é empregada.

Figura 2. Comparação entre métodos NPLC e SFC para tolazamida com base em critérios USP. Adaptado da referência 2.

Outra aplicação vantajosa da CC é a separação ortogonal em comparação à cromatografia líquida em fase reversa (RPLC). A RPLC é o modo cromatográfico mais empregado em indústrias farmacêuticas, porém, falha em obter boas retenções de compostos polares. Agências regulatórias têm exigido o controle de produtos de degradação de IFAs (possíveis metabólitos), os quais costumam ser mais polares, dificultando a sua quantificação por RPLC, ou com estruturas muito similares, apresentando baixa resolução. Uma alternativa é o uso de NPLC ou de cromatografia por interação hidrofílica (HILIC), técnicas ortogonais à RPLC.

Além das desvantagens já discutidas de NPLC, a HILIC depende de grande quantidade de acetonitrila, um solvente mais caro, além de requerer maior tempo de equilíbrio quando eluições gradientes são empregadas, demandando mais tempo por análise. A retenção de compostos apolares também é menor nesse modo. A CC é uma opção viável a estas técnicas por apresentar comportamento ortogonal: a fase móvel é apolar (ao contrário de RPLC e HILIC), e a fase estacionária pode ser tanto polar (sílica, usada em HILIC) como apolar (C18, usada em RPLC). A aplicação direta dessas características é a possibilidade de se obter perfis cromatográficos complementares com apenas duas corridas (uma em CC e outra em RPLC, por exemplo), permitindo ver o maior número de picos com o menor número de alteração experimental (como pH ou fases estacionárias). No exemplo da Figura 3, realizou-se um estudo de produtos de degradação da ondansetrona (medicamento usado para reduzir efeitos de tratamentos quimioterápicos), porém dois produtos (impurezas E e F, mais polares) não foram retidos em nenhuma condição RPLC [3]. O método empregando CC conseguiu reter as impurezas E e F o bastante para quantificá-las em um intervalo de tempo semelhante. No entanto, o IFA e a impureza A coeluem, embora a detecção com espectrometria de massas consiga selecioná-las individualmente. Note também que as impurezas C e D, que são mais retidas no método RPLC, são compostos menos retidos no método CC, evidenciando a seletividade ortogonal de ambas as técnicas cromatográficas.

Figura 3. Comparação da seletividade ortogonal de RPLC com CC para análise de ondansetrona e seus produtos de degradação. Adaptado da referência 3.

Embora a CC seja bem estabelecida em indústrias farmacêuticas, ainda é nítida a resistência que existe no Brasil em introduzir essa técnica no rol analítico. Talvez os principais embargos sejam a aquisição inicial (mais caro que instrumentos UPLC) e a necessidade de mais treinamentos por tratar-se de um modo cromatográfico não convencional (porém, na prática, o usuário de HPLC logo percebe que a operação é similar). Apesar do custo inicial, a alta produtividade e baixa geração de resíduos, além de propriedades complementares à RPLC, tornam a CC economicamente viável a longo prazo. Ainda, essa técnica é complementar a muitos outros modos de HPLC a partir de modificações simples na fase móvel (enquanto as características de outros modos cromatográficos são drasticamente distintas, como RPLC e NPLC, dificultando análises ortogonais). A Figura 4 mostra um resumo simplificado dessa complementaridade [4].

Figura 4. Comparação entre SFC (ou CC) e diferentes modos de cromatografia líquida. A CC é uma opção complementar interessante à LC. Adaptado da referência 4.

Autor: Igor M. Santana, M.Sc.

Pesquisador a nível doutorado

Departamento de Química Analítica

Instituto de Química da Unicamp

Contato: http://lattes.cnpq.br/0702244403546739

Referências

  1. Terry A. Berger, “The past, the present and the future (?) of analytical supercritical fluid chromatography – a 2018 perspective”, Chromatography Today (2018), pp 4-8 (disponível em: https://www.chromatographytoday.com/article/supercritical-fluid-sfcgreen-chromatography/45/sfc-solutions-inc/the-past-present-and-future-of-analytical-supercritical-fluid-chromatography-ndash-a-2018-perspective/2428). Acessado em 01 de fevereiro de 2021.

Se gostou deste artigo deixe seu like e um comentário!

Se você também gostaria de escrever um post para ser publicado aqui, escreva cromvallb@gmail.com, indicando no assunto “post”

%d blogueiros gostam disto: